Como todos sabem, a cerveja possui apenas quatro ingredientes – grãos, lúpulo, levedura e água – mas, recentemente, surgiu um quinto ingrediente: a fruta. De acordo com o Banco de Dados de Novos Produtos da Mintel, nos últimos cinco anos, um em cada dez lançamentos globais de cerveja continha sabores de fruta, com as marcas de cerveja primeiramente incluindo o sabor de fruta usando suco concentrado, extratos de sabor de fruta e cascas de fruta.

A tendência da cerveja frutada começou na Europa em 2012, principalmente na forma de ‘radlers’/’shandies’ (geralmente metade cerveja e metade suco de fruta ou limonada), mas também através dos lançamentos de cervejas com adição de aroma de fruta. Desde então, as principais cervejarias como a Heineken, Carlsberg e Anheuser-Busch InBev (ABI) conseguiram reviver com sucesso a tradição da cerveja frutada na tentativa de compensar um declínio nas vendas de cervejas tradicionais.

Os lançamentos
de cerveja
frutada dobraram
na América
do Norte
2014-2017

Contudo, a tendência Europeia de cerveja frutada está perdendo momentum já que apenas 7% de todos os lançamentos de cerveja na primeira metade de 2017 usaram aromatizantes de fruta contra um pico de 12% em 2014. Em contrapartida, 16% dos lançamentos de cerveja na primeira metade de 2017 na América do Norte continham sabor de fruta, o dobro da proporção lançada em 2014. A América Latina também está assistindo a um crescimento de cervejas frutadas, liderada pelo Brasil.

AB Inbev visa os Norte Americanos apreciadores de cerveja com fruta

Recentemente, a ABI começou a impor cervejas mais frutadas aos norte americanos, uma vez que os apreciadores de cerveja buscam opções com mais sabor, algo que ajudou a impulsionar o crescimento da cerveja artesanal. Porém, as cervejas artesanais geralmente oferecem sabores mais amargos e complexos, o que deixa uma lacuna a ser explorada pelas cervejarias tradicionais, usando sabores de frutas mais doces e acessíveis.

A Inteligência de Compras da Mintel mostra que, ao olharmos para todos os lançamentos de cerveja nos EUA desde Janeiro de 2016, os consumidores americanos com idade entre 21 e 34 anos são significativamente mais inclinados a afirmarem que comprariam cerveja frutada ao invés da cerveja comum. As cervejas frutadas se beneficiam da “auréola de saúde” ao usar frutas, com as marcas cada vez mais apresentando visualmente os ingredientes de frutas frescas na embalagem, mas as cervejas frutadas também marcam pontos na intenção de compra dos principais indicadores de paladar e bebidas.

Nas Américas, as cervejas artesanais pegam carona na tendência

Não são apenas as grandes cervejarias que estão explorando a tendência da cerveja frutada. Na verdade, cervejeiros artesanais indiscutivelmente se tornaram mais ativos no uso de frutas do que as grandes cervejarias, especialmente nos EUA. Nos últimos anos, marcas de cerveja artesanais norte-americanas já flertaram com certos estilos de frutas como as azedas, cervejas de cereja e ‘saisons’, mas as micro cervejarias estão regularmente adicionando frutas e suco de frutas às suas cervejas estilo pale ale e IPA.

O Brasil é um outro país, onde as marcas de cerveja artesanais estão adotando cervejas mais frutadas. O Brasil tem sido determinante no aumento de cervejas com sabor de fruta na América Latina, com o lançamento de cervejas regionais dobrando desde 2015. As cervejarias brasileiras não tem a habilidade de cultivar os lúpulos aromáticos tão amados pelos fãs de cerveja artesanal na América, o que levou os cervejeiros artesanais a experimentarem com frutas tropicas brasileiras.

Enquanto a queda no interesse em cervejas frutadas na Europa indica que essa tendência só irá durar poucos anos no mercado global, esses poucos anos podem ser bem lucrativos para as marcas que cronometrarem bem seus lançamentos. É também uma ótima porta de entrada para os consumidores que de outra forma não beberiam cerveja. De acordo com o relatório da Mintel sobre a cerveja no Brasil , apesar de apenas 4% dos brasileiros adultos beberem cerveja frutada, esse número salta para 9% entre as mulheres de 18-24 anos de idade, que a indústria está tentando atrair.

Johnny Forsyth é Analista de Bebidas Globais da Mintel e é frequentemente convidado tanto pela mídia nacional como internacional para comentar e analisar as tendências de mercado e consumo no setor de bebidas. Ele tem dez anos de experiência trabalhando em marketing, onde atuou na Starcom Mediavest, AB-Inbev, and Trinity Mirror.

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