Notícias sobre uma possível escassez de chocolate no mercado mundial têm se alastrado recentemente, como publicado na imprensa brasileira e internacional, com empresas como a Mars Inc. e Barry Callebaut alertando para a falta de cacau no futuro. Elas dizem que enquanto a produção de cacau diminui, o consumo do chocolate aumenta. No Brasil, por exemplo, números da Mintel Market Sizes mostram que o consumo per capita em 2015 deve crescer 3,2% em relação a 2014.

Como afirmado em artigo escrito pela analista da Mintel Ranjana Sundaresan, alguns especialistas preveem uma demanda insustentável de cacau até 2020, o que pode fazer com que a composição do produto seja alterada drasticamente no futuro. Para conter a falta de cacau no mundo, Ranjana salienta a importância do surgimento de novos produtores mundiais, como o Vietnã. Atualmente o país do sudeste asiático é responsável por somente 1% da produção de cacau no mundo, mas está despontando mundialmente como um grande fornecedor da cobiçada matéria prima devido a apoio governamental e privado.

O problema da falta de cacau no mercado vai de encontro com a tendência da Mintel “Hungry Planet”, que aponta a escassez de várias matérias primas no mercado. O preço global dos alimentos está no patamar mais alto já visto desde 1984 devido à demanda crescente.

Além das pragas que atacam as plantações, a expansão dos países emergentes coloca pressão nos recursos presentes de cacau. Dados da Mintel mostram que entre 2010 e 2013, houve um crescimento de 29,5% no consumo per capita de chocolate na China e de 34%, na Índia.

O preço caro pode fazer com que o consumidor procure alternativas, talvez comprando chocolates com menos frequência, trocando-os por outros doces ou até mesmo experimentando variedades com novos ingredientes, como as opções feitas com alfarroba _ ainda caras e difíceis de serem achadas no mercado _ ao invés de cacau. Independente de algumas previsões parecerem exageradas ou talvez especulações do mercado, o caso promissor do Vietnã mostra que há a possibilidade de outros países investirem na matéria prima, assim como do Brasil voltar a ser um grande exportador de cacau como já foi no passado.

 

Naira Sato é analista sênior da Mintel, no Brasil, desde 2012. Com mais de dez anos de experiência na área de pesquisa, Naira trabalhou em empresas como Millward Brown, Motorola e Unilever, analisando os consumidores brasileiros e latino-americanos, trabalhando com projetos de posicionamento de marca e desenvolvimento de mercado.

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