Recentemente, a questão do uso de agrotóxico na produção de alimentos voltou a ser destaque no Brasil. Isso porque o Projeto de Lei (PL) 6299/2002, que propõe facilitar a aprovação, a comercialização e uma maior flexibilização nas regras de fiscalização dos agrotóxicos, foi aprovado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural – CAPADR. O projeto ainda deverá passar pela apreciação dos deputados e senadores, porém esse primeiro passo em favor da revisão das regras atuais tem deixado os consumidores e o mercado em alerta.

Apesar dos benefícios competitivos que o uso de agrotóxicos pode trazer para a produção agrícola, ele afeta não somente a agricultura, mas traz riscos para a saúde humana e para o meio ambiente. Segundo estimativas da ONU, os agrotóxicos são responsáveis por 200 mil mortes por intoxicação aguda a cada ano ao redor do globo.

Ao mesmo tempo, a população mostra-se mais preocupada com a quantidade de agrotóxicos utilizados na produção de alimentos. A tendência Mintel Bannedwagon destaca um maior interesse das pessoas em todo mundo em saber sobre a composição dos produtos que ingerem.

ORGÂNICOS PODEM ATENDER ÀS ATUAIS DEMANDAS DOS CONSUMIDORES

Os consumidores vêm buscando alternativas consideradas mais seguras e saudáveis que os produtos que utilizam substâncias tóxicas. Por exemplo, 3 em 10 brasileiros dizem ter tentado adotar o hábito de comer alimentos/bebidas orgânicos e uma porcentagem similar afirma não ter tentado, mas que estaria interessada em fazê-lo, como uma forma de adotar hábitos alimentares saudáveis, mostrando que os alimentos orgânicos são um caminho para atender às atuais exigências dos consumidores.

Os brasileiros já percebem o valor agregado dos orgânicos: metade deles concorda que vale a pena pagar mais por comidas/bebidas orgânicas, segundo dados do relatório Mintel sobre atitudes em relação aos alimentos orgânicos. Todavia, mais de dois em cinco dos consumidores dizem ainda ter pouco conhecimento sobre comidas/bebidas orgânicas, mostrando que é importante desenvolver ações para educá-los sobre o diferencial desses produtos, que seguem os preceitos da agricultura livre de pesticidas.

OPORTUNIDADES NO MERCADO DE ORGÂNICOS

Além da questão da informação, outra oportunidade para os orgânicos refere-se ao abastecimento e acesso aos produtos. Também de acordo com pesquisa Mintel, três quartos da população brasileira gostaria de ver mais opções de comidas/bebidas orgânicas disponíveis nos mercados, indicando que é necessária uma distribuição mais abrangente dos produtos. Desta forma, o desenvolvimento de parcerias entre produtores e grandes varejistas mostra-se como uma necessidade para fortalecer a cadeia de produção de orgânicos. Recentemente, o Carrefour anunciou que irá dar mais espaço para produtos orgânicos em suas lojas no Brasil.

Outra forma de facilitar o acesso aos produtos orgânicos pelos consumidores é através dos sistemas de assinatura. Nesse formato, o consumidor paga um valor fixo mensal e tem acesso a itens entregues em casa e vindos diretamente do produtor. Empresas como a Clube Orgânico do Rio de Janeiro e a Raizs, de São Paulo, já estão apostando nesse novo sistema, que se desponta como oportunidade no mercado já que quase metade dos brasileiros afirma estar interessada em experimentar serviços que entregam refeições saudáveis em casa.

Marina é Especialista em Alimentos e Bebidas na Mintel, especializada no mercado brasileiro.

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