Com um consumo per cápita de menos de 2 litros de vinho ao ano o Brasil é um mercado com grandes possibilidades de crescimento e os vinhos brasileiros estão começando a serem reconhecidos internacionalmente, ainda que em uma pequena escala.
O vinho no Brasil é considerado um produto de luxo, ao contrário com o que acontece com outros países com uma maior tradição no consumo desta bebida onde é um complemento à alimentação,
como no caso de Espanha ou França, onde esta bebida está associada à reuniões sociais sendo parte importante da gastronomía local.

A tradição vinícola no Brasil.

No Brasil, A quase totalidade da produção concentra-se na região sul do país, onde, pelo fato de localização geográfica e por razões históricas a região sul é a meca do vinho Brasileiro.

A Vitis Vinifera cresce nas regiões do mundo que se encontram entre 30 e 50 graus de latitude nos dois hemisférios do planeta e é na região sul brasileira onde imigrantes europeus, vindo de regiões com uma longa tradição na produção e consumo de vinho vieram em busca de uma nova vidao no Brasil, assim por volta do século XIX.

O mercado local

Há oportunidades e desafíos para aqueles que queiram aventurar-se no comércio de vinho no Brasil, o mercado no varejo é fragmentado e o setor passa por um processo de evolução.

O mercado é dividido em dois segmentos:
Vinho de mesa, que representa 69% do volume
Vinhos finos 31% do volume

O consumo no Brasil é associado à ocasiões especiais e hoje as empresas no setor estão trabalhando para que ela seja uma bebida do dia-a-dia. Porém, terão que se esforçar para competir com a cerveja, que está associada ao churrasco do fim de semana, mas claro, para aquela picanha, algúns diríam que, melhor sería um vinho tinto com taninos algo fortes para ajudar a romper a proteína da carne vermelha. Mas isso já são gostos pessoais.

Tendências de consumo.

Para quem nunca bebeu vinho, talvez, uma boa escolha sería um vinho jovem, sem ter passado pelo carvalho e pouco a pouco ir experimentando vinhos mais complexos.

A experta nos comenta:
“O consumo de vinhos pelos brasileiros inicia-se pela “base”, ou seja, pelo acesso ao mundo dos vinhos, que são os vinhos de mesa. Entendemos que o consumidor não começa neste mundo diretamente pelos vinhos importados.”
Gioceli Escorsin, Gerente de marketing Famiglia Zanlorenzi

E por falar em vinhos importados, eles representam 81% do volume do total dos vinhos finos consumidos em 2012.

Para alguêm que entra no mundo dos vinhos, o preço pode ser um fator determinante e o presidente do Comitê do Vinho da FecomercioSP, Didú Russo comenta:

“Posso afirmar que não existe informação científica a respeito, apenas empíricas. O que posso dizer é que no Brasil 80% do consumo está em vinhos de até R$ 20,00. E dentro dos outros 20% a grande procura está entre R$ 50,00 e R$ 100,00. O fato dos altíssimos preços do vinho no Brasil, é o grande impedimento de crescimento. Diria ainda que a grande preferência do brasileiro ainda está em vinhos macios e com exagero em madeira, mas está mudando. Também a perspectiva de crescimento no consumo de branco (14% apenas incluindo espumantes) começa a mostrar um pequeno vigor, com mais ofertas. Mas isso apenas na fatia dos 20% do consumo mais sofisticado”.

Custo Brasil.

Para um vinho nacional os impostos somam aproximadamente 50% do total e para vinhos importados a porcentagem chega a 80%.
Com esses preços fica muito difícil convencer ao público de que o vinho não é um produto de luxo, ainda que o mercado seja domindo pelos vinhos de mesa.
Os vinhos importados da Europa chegam a preços astronômicos e nos encontramos com o mesmo mantra: desde que não haja uma desoneração, a coisa não mudará muito.

O vinho Brasileiro lá fora

Com os eventos esportivos que serão sediados no Brasil o mundo fica mais e mais interessado nos produtos Brasileiros e parece que o mundo esta dando-se conta de que tambêm há vinho no Brasil, como podemos ver que no ano passado foram exportados quase 5 milhões de litros de vinho, ainda pouco, tendo em conta de que isso é menos de 2% de toda a produção nacional mas ainda assim os vinhos Brasileiros ganham notoriedade e medalhas em consursos internacionais.

Um exemplo é a Vinícola Basso, que tem ganhado prêmios na competição Muscat du Monde que se celebra na região do Languedoc, na França. Competição para vinhos feito exclusivamente com a uva da variedade Muscat.

A Uva Muscat é uma uva aromática,usada para a produção dos famosos moscatéis, essa uva é usada em varías regiões da Italia, como por exemplo na região do Oltrepo Pavese. Foram os mesmos imigrantes italianos que a levaram ao Brasil e essa variedade se adapta perfeitamente ao clima da Serra Gaúcha.

Para Maria Angélica Rech, Coordenadora de Exportação da Vinícola Basso, o futuro é prometedor:
“Há muita oportunidade em outros mercados para produtos brasileiros já que todos têm os olhos abertos para o Brasil e estão passando a conhecer os vinhos Brasileiros, esse interesse é devido ao esforço em conjunto de muitas adegas para melhorar a qualidade do produto nacional e tambêm do com o esforço do Ibravin com o projeto Wines from Brazil. Todo o setor unido leva a bandeira do
Brasil onde é que vamos.”

De onde vem o vinho Importado?

Pois o Chile é o primeiro colocado com 38% do volume, seguido pelo nosso vizinho Argentina con 19.6%, (dados de 2012) os vinhos portugueses 12.3%, espanhóis 6.3% e franceses 4.5% seguem ganhando mercado enquanto os italianos 14.6% vão pelo mesmo caminho que os os argentinos, vão perdendo terreno.

Parece ser que os países são tratados diferente na hora de exportar ao Brasil, o caso que mais chama a atenção é o de Chile e Argentina.
Em 2007, Chile exportou 18.9 milhões de litros de vinho ao Brasil, em 2012 o volume foi de 30.4 milhões de litros. Argentina, em 2007 exportava 16.2 milhões de litros e já em 2012 o volume foi de 15.6 milhões de litros.

Em uma entrevista telefônica com o Lic. Daniel Rada, Diretor do Observatório Vinícola Argentino comenta que o Brasil é um mercado importante para as exportações de vinho argentino, em valor FOB representa 7% e em volume 5.5% do total, sendo assim o 4o país em importância.
Pelo fator da proximidade, maior facilidade em transporte e por serem membros do Mercosur a relevância devería ser maior. Porém, o Licenciado nos indica, que os vinhos chilenos têm maior facilidade de entrada no país e que os argentinos sofreram duas restrições importantes nos últimos anos:

Entre 2011 e 2012 houve um preço mínimo por caixa de vinho de USD8 FOB. O que deixou o vinho menos competitivo.

As licenças que não se renovam automaticamente, quer dizer que para cada envío, é necessário pedir uma licença que pode chagar a demorar 60 días a que a mercadoría seja liberada.

Como indica o Licenciado, para agravar a situação a taxa de câmbio entre o Peso e o Real não foi favorável para os argentinos.

Essa Relação amor/ódio entre Brasil e Argentina não é de hoje, ainda que os dois sejam membros do Mercosur tem-se dito que os brasileiros tiveram problemas exportando seus produtos ao país vizinho, que impôs medidas para proteger os produtores locais, e ao final, o país luso-parlante, começou a impôr medidas como retaliação, mas nessas alturas, já é difícil saber como começou tudo e inclusive ja é irrelevante. O que está claro é que, ao longo prazo o intervencionismo/protecionismo que vem dos governos centrais e impulsado por grupos de interesse prejudica a todos e, o consumidor final, no meio dessa briga de comadres, é o que paga a conta, com preços mais altos, menos variedade de produtos e menos inovação no mercado.

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