Este mês Scot Rank, presidente e CEO do Walmart do México e da América Central, anunciou que o mercado de comércio eletrônico no México ainda é muito pequeno em comparação a outros na região, mas que cresce rapidamente. Ele disse que quer replicar o modelo de negócios do Brasil a fim de aumentar ainda mais as vendas.

Os 200 especialistas em comércio eletrônico da empresa já recebem informações de seus colegas no Brasil, em uma iniciativa avaliada em MXN1.9 bilhões (R$ 340 milhões) neste ano fiscal. As informações são do portal mexicano El Financiero.

O relatório Mintel E-commerce – Brasil – Maio 2014 analisou com detalhes as peculiaridades da plataforma de comércio eletrônico da Walmart no País.

O documento revelou que a companhia sabiamente batizou sua plataforma de comércio eletrônico de “shopping center virtual”, buscando assim lembrar seus usuários da natureza diversa de seu portfólio de produtos e serviços. Shopping centers são uma das mais populares opções de varejo entre os brasileiros pois combinam variedade, lazer e segurança em um só lugar.

O shopping center virtual concilia diversidade com conveniência, permitindo aos consumidores que façam compras no conforto de sua casa. Eles podem navegar seus carrinhos de compras virtuais através de vários “corredores” e categorias de produtos, comparando preços entre diferentes fornecedores.

A pesquisa Mintel também apontou que a empresa planeja oferecer um milhão de produtos até o final do ano, criando assim o maior portfólio online desse tipo no país. Essa meta ilustra a importância do tamanho do portfólio para varejistas online.

A empresa americana aluga espaço para pequenos competidores venderem seus produtos nos shopping centers virtuais. Tais empresas desfrutam de certa autonomia, podendo vender os produtos desejados e implementar sua própria estratégia de preço. Podem ainda utilizar a plataforma Walmart de serviço ao cliente para pagamento, suporte e entrega.

Esse shopping center irá conter o portfólio completo da empresa, representando assim um grande avanço na estratégia global de omni-channel (sintonização dos portfólios físico e online).

A empresa também tem forte presença no Facebook. A comunidade Walmart Brasil tem quase 1.4 milhão de membros, e a página “Retail and Consumer Merchandise” possui quase 500.000 usuários. Elas incluem aplicativos de suporte ao consumidor em tempo real, de carreiras e até mesmo de receitas.

Clientes do Walmart podem registrar-se online através do Facebook, permitindo assim a empresa recomendar produtos de acordo com o perfil e comportamento online do usuário. Essa ferramenta substitui programas de fidelidade que normalmente são estabelecidos com o objetivo maior de perfilar clientes.

Atualmente, o Facebook está testando o botão “comprar” e explorando novas alternativas de varejo no Brasil. A empresa americana está fortemente posicionada para aproveitar-se dessas possibilidades já que possui massiva presença na rede social brasileira.

O relatório Mintel Varejo de Alimentos e Bebidas – Brasil – Abril 2014 mostrou que a Walmart é o terceiro maior varejista de comidas e bebidas no país, com receita de R$25 bilhões e uma fatia de mercado de 7.4% (2012). Sua oferta de comércio eletrônico, no entanto, é maior que a dos líderes de mercado, o Pão de Açúcar e o Carrefour, o que poderia alavancar a empresa para o segundo lugar ou até mesmo a liderança do mercado, no futuro.

O mercado brasileiro de comércio eletrônico é diverso, inovativo e cresce em ritmo rápido, numa taxa de aproximadamente 20% ao ano. Histórias de sucesso como a do Walmart podem servir de modelo não somente em mercados em desenvolvimento como no México, mas também em outros mais maduros como na Espanha e Itália.

Victor Fraga é analista sênior com mais de 13 anos de experiência em várias indústrias, como tecnologia, saúde e setor público. Antes de integrar a equipe Mintel, trabalhou em diversas empresas no Reino Unido, como na consultoria Frost & Sullivan e no Guardian News & Media.

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