De olho em 2025, o departamento de Beleza e Cuidados Pessoais, da Mintel, anunciou as quatro principais tendências que deverão orientar os mercados globais de beleza durante a próxima década, incluindo as implicações que trarão para consumidores e marcas.

No futuro, quando a linha entre os dispositivos humanos e tecnológicos se fundirem, a água vai se tornar um recurso protegido, preocupações com energia vital aumentarão e ingredientes naturais virarão o centro da atenção. Portanto, marcas de beleza devem inovar para permanecer relevantes.

Jane Henderson, presidente global da divisão de Beleza e de Cuidados Pessoais, da Mintel, afirma:

“Estamos vivenciando uma época empolgante com avanços revolucionários na tecnologia, parcerias de marcas e desenvolvimento de produtos. No entanto, nós acreditamos que os próximos anos vão trazer grandes contrastes entre a tecnologia pessoal e ingredientes naturais, os quais irão conduzir a inovação das áreas de beleza ao longo da próxima década. No momento, fabricantes já estão trabalhando com novas gerações de produtos de beleza que irão satisfazer as necessidades dos consumidores por rapidez e eficácia.”

O HUMANO AUMENTADO

A linha entre o humano e os dispositivos tecnológicos está se fundindo, à medida que a tecnologia inteligente dá aos consumidores um maior controle sobre suas necessidades individuais de saúde e beleza. Pode parecer improvável, mas um laboratório de banheiro está muito mais próximo da existência do que os consumidores possam pensar, graças ao trabalho em curso de realidade aumentada e virtual, diagnósticos e formulações personalizadas. O aumento da popularidade da tecnologia vestível deu aos consumidores uma visão sem precedentes sobre o funcionamento interno do seu próprio corpo. Pesquisa Mintel mostra que 18% dos consumidores chineses possui um dispositivo vestível, enquanto quase metade, 48%, dos usuários de protetores solares do Reino Unido estaria interessada em um aplicativo que pode ser usado para rastrear mudanças da pele.

“À medida que os consumidores se tornam, cada vez mais, familiarizados com o uso de tecnologia para monitorar a sua saúde e bem-estar, eles procuram marcas de beleza que ofereçam produtos e dispositivos que tenham funcionalidades semelhantes. O desenvolvimento de novos produtos em realidade aumentada está fornecendo o próximo passo em espelhos virtuais e visualização em tempo real dos efeitos de produtos de beleza na pele e no cabelo. Além disso, os dispositivos vestíveis serão, cada vez mais, parte do corpo, de micro fragmentos que monitoram a condição da pele aos ingeríveis que enviam informações do estômago para dispositivos conectados, os quais acompanham o movimento e eficácia dos suplementos de beleza. No entanto, como a nova tecnologia permite aos consumidores acompanhar o impacto dos produtos de beleza, as marcas estarão sob maior pressão para comprovar essa eficácia”, afirma Vivienne Rudd, diretora de Insights, Beleza e Cuidados Pessoais, da Mintel.

ÁGUA: O NOVO LUXO

A água está para se tornar um bem precioso à medida que o seu consumo fica maior que a oferta. Para limitar a dependência de água, marcas de beleza terão que mudar a forma como fabricam e formulam produtos. Como é esperado que a água se torne um recurso altamente protegido, usando-a da forma como era consumida no passado, simplesmente não será viável nos próximos anos. No Reino Unido, um terço, 33%, dos consumidores diz que pagaria mais por equipamentos que economizem água ou contas de energia. Assim como os consumidores reduzem seu uso, eles também esperam que as marcas façam o mesmo, e algumas delas já tomam uma atitude em relação a esse assunto. Onde a água era, uma vez, parte essencial de algumas rotinas de beleza, novas formulações de produtos exigem pouca ou nenhuma água para a sua utilização.

“Nossa pesquisa mostra um crescente interesse do consumidor em fontes alternativas de água, que não colocam pressão nos recursos atualmente existentes. E para ganhar vantagem competitiva, vamos ver marcas vasculharem a terra para encontrá-las. Esses novos produtos podem ser posicionados como sustentáveis e exclusivos. As marcas não somente procurarão fontes de água de diferentes oceanos, lagoas e glaciares, mas elas vão escalar montanhas para colher as gotas mais puras possíveis. A chave para o sucesso das marcas de beleza reside no sucesso da adoção dessas medidas inovadoras entre os consumidores mais jovens. Elas devem atrair o idealismo e a paixão juvenis, o desejo de mudar o mundo por meio de produtos que afirmam claramente como elas abordam a questão da escassez de água. Haverá também uma maior necessidade das marcas em ajudar os consumidores a controlar o consumo de água, e transparência será uma qualidade extremamente importante”, continua Vivienne Rudd.

PODER DE JOGO

Os consumidores enfrentam problemas com o vigor físico assim como o ritmo da vida moderna muda. Cientes da necessidade dos consumidores de mudar seus estilos de vida a longo prazo, as marcas de beleza estão oferecendo produtos que colocam o posicionamento de energia na vanguarda. Por sinal, os níveis de vigor tornam-se uma preocupação fundamental em todo o mundo. Pesquisa Mintel, por exemplo, indica que quase quatro em cada cinco adultos, 79%, no Reino Unido odeia se sentir com pouca ou baixa energia. Mais do que isso, nos Estados Unidos, cansaço ou fadiga ocupa o segundo lugar como um problema de saúde.

“Nossa pesquisa mostra que os consumidores, em geral, querem melhorar sua saúde e bem-estar. As marcas de beleza vão precisar fazer parcerias com empresas de alimento, bebida e lazer para criar variantes de produtos que promovam um estilo de vida saudável com ingredientes e reivindicações que se complementam. Posicionamentos de eficiência energética também serão fundamentais na próxima década já que os consumidores batalham contra a fadiga. As marcas devem ilustrar, de forma tangível, como seus produtos podem melhorar os níveis de vigor do consumidor. Aliás, itens direcionados a aumentar a energia do consumidor já estão sendo produzidos, particularmente nas áreas de produtos para cuidados da pele e do cabelo. Devemos ver mais marcas capilares visando melhorar a condição e longevidade dos cabelos por meio de estímulos da energia celular. Uma nova geração de maquiagem também vai emergir, aumentando os níveis de energia da pele e melhorando a sua aparência”, afirma Vivienne Rudd.

GASTRONOMIA

Diz o ditado, “é o que está no interior que conta”, e não há melhor maneira de conhecer os ingredientes de um produto do que prepará-lo você mesmo. Produtos de beleza estão saindo das sombras dos laboratórios e ganhando os balcões da cozinha dos consumidores. Mudanças de atitude em relação a ingredientes naturais têm agido como um catalisador na ascensão da ‘cozinha da beleza” – produtos que podem ser feitos na mesa da cozinha e que ainda refletem os estilos mais recentes. Essa tendência é impulsionada por um desejo dos consumidores de se sentirem no controle dos produtos que usam. Quase metade, 48%, dos consumidores italianos e espanhóis compram produtos naturais e orgânicos de higiene pessoal porque eles acreditam que os produtos são melhores para a saúde.

“Tratamentos de beleza e cuidados pessoais tradicionais estão se tornando mainstream, já que mais e mais consumidores começam a ‘cozinhar’ as suas próprias versões. Marcas terão que mudar seu foco para realçar processos artesanais, ao mesmo tempo que tornam mais fácil para os consumidores fazerem produtos em casa. Pensando na próxima década, veremos marcas emprestado inspiração dos kits de refeição desenvolvidos por empresas de alimentos. Assim como marcas de beleza fazem parceria com empresas de homewares para criar dispositivos de cozinha e produtos de armazenamento, com o crescente interesse na adoção de estilos de vida mais naturais, os consumidores vão envolver-se mais no processo de criação para garantir que seus produtos de beleza e cuidados pessoais sejam mais transparentes”, conclui Vivienne Rudd.

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