Apesar do Brasil passar por uma crise econômica, algumas categorias de consumo devem se sair bem nos próximos anos, como aponta o recém-lançado relatório da Mintel, Estilos de Vida do Consumidor Brasileiro, que cobre todos os setores de consumo do país. Avaliado em R$ 3,29 tri em 2014, os gastos dos consumidores deverão crescer 37%, entre 2014 e 2019, atingindo os R$ 4,50 tri.

Porém, a atual situação econômica do País irá afetar o crescimento de todos os setores de consumo, com a maioria deles vislumbrando um futuro menos favorável nos próximos anos. Algumas áreas, entretanto, apresentarão melhores desempenhos que outras. A Mintel aponta que Beleza e Cuidados Pessoais, e Itens para Cuidados da Casa são alguns dos setores que devem ter um crescimento consistente nos próximos anos.

“No meio do atual cenário econômico brasileiro de crise há como destacar algumas oportunidades de mercado, principalmente nas áreas de Beleza e Cuidado Pessoal, e Produtos para a Limpeza da Casa. Essas categorias ainda terão boas projeções de crescimento até 2019 mesmo que numa escala menor do que no passado e que o consumidor esteja optando por produtos mais simples e básicos. Também há boas perspectivas de crescimento em segmentos específicos como cerveja artesanal, educação e alimentos saudáveis”, afirma Renata Moura, analista sênior de Pesquisa de Consumo, da Mintel.

Segue abaixo como deve ser a performance de algumas categorias de consumo até 2019:

Beleza e Cuidados Pessoais

Entre 2015 e 2019, o mercado de Beleza e Cuidados Pessoais deve continuar a crescer, mas com taxas moderadas, quando comparadas com números dos últimos anos. A Mintel aponta que o crescimento médio anual entre 2015-19 deve ser de 10,2%, atingindo os R$ 107,30 bi em 2019, contra um crescimento anual de 13% entre 2010-14. Esse crescimento menor é causado principalmente pela alta da inflação, dos impostos, desaceleração do crédito e renda. No entanto, a categoria de cosméticos mostra o maior crescimento quando comparada com outras área de consumo, 63%, entre 2014 e 2019.

“O momento econômico atual, de inflação alta e desaceleração da economia, afeta o setor de cosméticos, cujo crescimento para os próximos anos será moderado, mas ainda constante. Em época de crise, as pessoas tendem a cuidar mais de si mesmas com mais frequência, a fim de esquecer os problemas. Acreditamos que o Brasil vai passar pelo “lipstick effect”, termo cunhado em 2001 por Leonard Lauder, da empresa de cosméticos Estée Lauder. Como batons são um dos produtos mais baratos, assim como esmaltes, eles ainda são acessíveis em tempos difíceis e podem ser vistos por muitos como um “agrado”. Para complementar, as oportunidades de crescimento também estão nos consumidores cientes da importância em cuidar de sua pele e que procuram por itens inovadores”, explica Renata Moura.

Produtos para Cuidados da Casa

Nos próximos cinco anos, o setor de Produtos para Cuidados da Casa, deve crescer 42% até 2019, passando de R$ 22 bi em 2014 para R$ 32,20 bi em 2019.

A boa performance desse segmento recentemente se deu pela crescente classe média, a qual começou a ter mais acesso a produtos eletroeletrônicos, como máquinas de lavar, televisões, geladeiras etc. Isso gerou a necessidade dos consumidores comprarem produtos como detergentes, amaciantes, produtos para limpeza e para máquinas de lavar louça, por exemplo. Por sinal, o consumidor da classe C tornou-se heavy user dessa categoria.

“A população brasileira tradicionalmente gosta de ter a casa sempre limpa e cheirosa. Esse hábito cultural impulsionou o mercado de produtos para cuidados da casa nos últimos anos, principalmente pela nova classe média. Os próximos anos serão marcados por um crescimento positivo, porém no cenário econômico atual os brasileiros talvez tenham que optar por produtos com preços mais acessíveis”, completa Renata Moura.

Alimentação dentro de casa

Mesmo considerando a previsão não tão positiva para os próximos anos da economia brasileira, o consumo de alimentos no Brasil, dentro de casa, deve crescer, especialmente devido a maior demanda por alimentos saudáveis e inflação. A previsão para esse mercado é que ele atinja os R$ 388,5 bi em 2019, crescendo R$ 110 bi, em cinco ano. A previsão de valor desse mercado para 2014 é de R$ 278,2 bi.

“Juntamente com o crescimento da inflação _ gerada pela seca, aumento do preço da energia e combustível, entre outros fatores _, a crescente demanda por alimentos saudáveis, geralmente mais caros, também gera aumento de valor para o setor”, conclui Renata Moura.

Bebidas Alcoólicas

A previsão de crescimento do setor de bebidas alcoólicas para consumo fora de casa é um pouco maior do que a venda no varejo. A Mintel prevê que o mercado de bebidas alcoólicas para consumo fora de casa no Brasil chegará a um valor estimado de R$ 71,2 bilhões em 2019, um crescimento de 37% em relação a 2014 (e um pouco maior em comparação ao consumo em casa, que tem previsão de crescer 22%). Em 2016, o Rio de Janeiro irá sediar os Jogos Olímpicos, o que pode ajudar a impulsionar as vendas, principalmente de cerveja e destilados, semelhante ao que aconteceu durante a Copa do Mundo de 2014, e que será realizada durante o inverno, um período mais fraco para as vendas de cerveja.

O Brasil tem uma grande variedade de bebidas alcoólicas premiadas e de alta qualidade, principalmente nos segmentos de cerveja artesanais e vinhos. A tendência de produtos premium cresce em todos os segmentos de bebidas alcoólicas, impulsionando as vendas em valor da categoria. Por sinal, a cerveja premium foi consumida por 19% dos entrevistados nos últimos seis meses anteriores a abril de 2014.

Produtos farmacêuticos

A previsão para o mercado de produtos farmacêuticos é positiva. Em 2014, o mercado de medicamentos isentos de prescrição médica e produtos farmacêuticos atingiu R$ 85,3 bilhões. Para os próximos cinco anos, entre 2015 e 2019, espera-se um crescimento progressivo, com uma média anual de crescimento em torno de 6,3%. A previsão é de que o mercado atinja R$ 115,8 bilhões em 2019. Esse crescimento deve se dar principalmente pelas contínuas fusões, aquisições e aberturas de novos pontos de venda que movimentam e aquecem o mercado.

Quanto ao consumidor, a Mintel revela que 26% dos compradores em farmácias disseram que costumam ir a diversas farmácias em busca das melhores promoções.

Bebidas não Alcoólicas

Com um valor estimado em R$ 60 bi, em 2014, a Mintel prevê que o mercado de bebidas não alcoólicas atingirá os R$ 75,7 bi em 2019.

O mercado de refrigerantes sofreu uma retração de volume entre 2011 e 2013, e em termos de valor, em 2013. Além disso, eles não se beneficiam de uma imagem de bebida saudável. Como pesquisa Mintel revela, 48% dos consumidores de refrigerantes concordam com o atributo: “a quantidade de calorias é um dos principais fatores que considero quando compro refrigerantes.”

Tecnologia e Comunicação

A Mintel prevê que o mercado de tecnologia e comunicação no Brasil chegará a um valor estimado de R$ 163,8 bilhões até 2019, um crescimento de 22% em relação a 2015.

Roupas e Acessórios

Em 2015, o mercado de roupas e acessórios provavelmente terá crescimento mais lento do que em anos anteriores, de 5% em 2015 em comparação à média anual de 7% de crescimento entre 2011 e 2014.

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