Depois de forte desenvolvimento nos últimos anos, a economia brasileira atualmente passa por um momento de crescimento moderado e o novo clima econômico reflete nos hábitos do consumidor. De fato, uma nova pesquisa da Mintel – o primeiro relatório da empresa a abordar todos os setores do mercado consumidor brasileiro ao mesmo tempo – revela que este tem sido um ano de “consumismo cauteloso” em que o brasileiro está gastando com o básico, como pequenos itens para a casa, em vez de produtos mais valiosos. Por sinal, 48% dos brasileiros afirmou que gastou, em 2013, mais com alimentos consumidos no lar, em comparação com o ano anterior. A mesma característica é vista em produtos de limpeza doméstica, já que 43% dos consumidores disseram que gastaram mais, por exemplo, com produtos para lavar roupa, louça e limpeza da casa.

Além disso, quando perguntados como planejam gastar seu dinheiro extra este ano, 50% dos consumidores disseram lazer; 28%, comer fora, e 30%, colocar em uma conta poupança. Ao mesmo tempo, 34% dos consumidores brasileiros afirmam que desembolsaram menos com Tecnologia e Comunicação e 35% a menos com reformas em suas casas e na compra de móveis, em 2013. O estudo também revela que 32% dos brasileiros também diminuiram gastos com férias.

Destacando as prioridades do brasileiro, “colocar as minhas finanças em ordem”, mencionado por 73% dos respondentes, está em terceiro lugar entre as metas pessoais mais citadas para este ano – principalmente entre os consumidores masculinos (76% versus 70% entre as mulheres), e os homens jovens, com idade entre 25 e 34 anos, 86%. No entanto, não somente atividades ligadas ao dinheiro foram mencionadas entre os objetivos. No topo da lista estão: “cuidar melhor da minha aparência”, 75%, seguido por “passar mais tempo com minha família”, 74%.

“Depois de um período passado de consumismo, os consumidores brasileiros ficam, cada vez mais, conscientes de que precisam entender sobre planejamento financeiro, como poupar, investir e gerir os seus rendimentos. Ao mesmo tempo que querem produtos sofisticados, eles também sabem que precisam ser mais prudentes. Atualmente, desembolsam mais com produtos do dia a dia e estão adquirindo um comportamento cauteloso. Como estão sendo ‘forçados’ a organizar suas finanças pessoais e a avaliar melhor o que se encaixa em seus orçamentos, as chances de prestarem mais atenção nos benefícios de um produto ou serviço antes de comprar são maiores, bem como a comparação de preços, qualidade e atendimento. Customização e marketing one-to-one serão fatores chaves para as relações de mercado no país no curto e médio prazo, focados em diferentes grupos socioeconômicos”, explica Sheila Salina, analista de Estilo de Vida, da Mintel.

A pesquisa Mintel também revela quais os setores de consumo devem crescer mais fortemente nos próximos cinco anos. Os dados mostram que a categoria de bebidas alcoólicas consumida fora de casa atingirá a maior taxa de crescimento no Brasil, quase duplicando o seu mercado, com 96% de aumento estimado entre 2013 (mercado avaliado em R$ 46 bi) e 2018, quando os valores de venda devem atingir os R$ 90 bi. Tecnologia e Comunicação é a categoria com o segundo maior crescimento projetado para o mesmo período, em 84% (de R$ 119 bi em 2013 para R$ 220 bi em 2018), seguido por itens de casa, 60%, farmácia, 53%, e manutenção da casa, 47%.

Novos lançamentos de cerveja no Brasil e o aumento do consumo de variedades importadas devem impulsionar o volume de vendas e de valor de mercado da categoria de bebidas alcoólicas. Cervejas artesanais e premium são cada vez mais consumidas. À medida que a renda do consumidor aumenta, ele compra produtos mais caros e sai mais frequentemente para beber fora de casa. Ao mesmo tempo, a demanda do brasileiro está ficando mais complexa, contemplando produtos sofisticados, como coquetéis internacionais, vinhos e espumantes. Consequentemente, todos esses fatores impulsionarão o crescimento da categoria até 2018.

Alinhada com o fato de que “cuidar da aparência” é o objetivo número um para os consumidores brasileiros este ano, a categoria de Beleza e Cuidados Pessoais deverá se beneficiar. Como resultado, a Mintel prevê crescimento de 45% para o setor até 2018, atingindo o valor de R$ 83 bi.

“A aparência é prioridade na vida dos consumidores brasileiros, o que irá refletir positivamente na categoria de Beleza e Cuidados Pessoais. Produtos
como desodorantes, xampus e condicionadores continuarão a se sobressair nos próximos anos, principalmente por meio de lançamentos mais sofisticados de tratamentos especializados direcionados para o público feminino, como hidratantes, reparadores e itens com propriedades anti-frizz”, afirma Sheila Salina.

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