Apesar da incontestável popularidade da internet, e especialmente das mídias sociais, muitos brasileiros começam a repensar o tempo que gastam online. Uma nova pesquisa da Mintel sobre atitudes e hábitos em relação ao uso de mídias sociais revela que muitos consumidores estão optando em abandonar algumas delas, com mais de um em cada cinco (22%) brasileiros dizendo ter deletado alguma conta de rede social nos últimos 12 meses (em relação a abril de 2018).

Outro assunto bastante atual se refere às fake news. Consideradas por muitos como uma ameaça à democracia, elas estão levando canais de mídia social a serem mais fiscalizados. Entretanto, a pesquisa da Mintel revela que três em cada cinco (65%) brasileiros usam as redes sociais como sua principal fonte de informação e sete em dez (73%) dizem que gostam de acompanhar notícias e artigos nessas redes.

“Uma das hipóteses para a exclusão de contas é que as pessoas estejam tentando passar mais tempo desconectadas. Os consumidores estão começando a perceber que o uso excessivo de celulares pode se tornar um vício e ser prejudicial à saúde. Diante dessa situação, há hotéis criando programas de detox digital e alguns canais sociais e aplicativos estão disponibilizando ferramentas para que seja possível monitorar o tempo gasto navegando por eles. Já as fake news podem impactar como as mídias sociais são vistas como fonte de informação, o que põe pressão nessas empresas e meios de comunicação para que combatam o problema e eduquem os usuários para identificar conteúdo malicioso”, afirma Ana Paula Gilsogamo, especialista em Pesquisa de Consumo, da Mintel.

A pesquisa Mintel revela que quase sete em dez (68%) brasileiros concordam que o conteúdo postado ou compartilhado por amigos e familiares são os que mais chamam a sua atenção. Bem mais atrás, 38% dos consumidores afirmam que o conteúdo criado por marcas é o que mais têm interesse em acompanhar. Entretanto essa porcentagem é relativamente alta quando comparada a outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, de acordo com pesquisa Mintel feita no país, somente 16% dos usuários de mídia social afirmaram se engajar  com o conteúdo criado por marcas. Por sua vez, o conteúdo criado por personalidades da internet, como youtubers e influenciadores, é atraente para um terço (34%) dos brasileiros, acima dos 30% que mencionaram celebridades.

“É claro que a informação transmitida de pessoa a pessoa é o que mais atrai quem usa mídia social, o que vai de encontro com estratégias e ativações recentes adotadas por algumas marcas e líderes da indústria em priorizar conteúdo pessoal. Assim, as marcas podem estimular os usuários a produzir conteúdos próprios nas redes sociais dos quais suas marcas façam parte. Uma boa maneira de fazer isso é convidar os usuários comuns a darem sua opinião em relação a produtos, elaborar produtos de acordo com a opinião dos consumidores e, também, estimular sua participação nas campanhas da marca ao promover experiências únicas e especiais”, explica Ana Paula.

Em relação ao conteúdo compartilhado em mídia social, a pesquisa Mintel aponta que metade dos usuários (49%) posta ou compartilha conteúdo criado por outros. E enquanto 70% diz que posta para passar informações úteis para amigos e seguidores; um número significante, de 62%, afirma que faz o mesmo para expressar sua opinião sobre algo com que discorda, mostrando que os usuários têm maior probabilidade de compartilhar conteúdo para expressar um desentendimento do que para destacar uma questão ou causa que seja importante para eles.

Finalizando, três em dez (29%) daqueles interessados em conteúdo criado por celebridades da internet, costumam compartilhar conteúdo para obter recompensas (ex. descontos/promoções) comparados aos 17% dos usuários em geral que realizam o mesmo.

“Para estimular mais esse público propenso a compartilhar conteúdo em troca de recompensas, uma oportunidade para as marcas é fazer parcerias com canais e perfis de personalidades na internet e youtubers para a realização de promoções. Já em relação às discordâncias, as marcas devem ficar atentas pelo seu potencial de compartilhamento e gerar buzz nas redes sociais. A Bauducco, por exemplo, criou uma campanha nas redes sociais para a Páscoa deste ano para o lançamento das suas novas versões de Colomba Pascal, criando uma brincadeira sobre o uso de uva passa nos pratos de final de ano. Na disputa, haters de uva passa faziam conteúdo, e comentavam nas redes sociais da marca, sobre como esse ingrediente estraga os pratos, enquanto os “adoradores” a defendiam. A marca aproveitou o buzz e realizou um teaser perguntando aos seus clientes se gostariam que fosse produzida uma Colomba Pascal com 200% a mais de uva passa, o que gerou ainda mais repercussão para o lançamento de sua edição especial de Colomba Pascal sem uva passa”, finaliza Ana Paula.

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