“No Brasil, onde atualmente no varejo em cada 20 cervejas consumidas, 19 pertencem a marcas de empresas nacionais, relatório da Mintel sobre o mercado local revela uma mudança significativa: cervejas premium avançam e mostram potencial de crescimento. Enquanto o volume de cerveja “padrão” caiu 2% em 2011 em relação a 2010, as variedades premium cresceram expressivos 18%, tornando-se um relevante segmento do mercado.

Avaliado em R$ 5,29 bi em 2011, o mercado de cervejas premium ganhou 0,6% em valor no varejo, passando de uma representação de 11,4% em 2010, para 12% em 2011. Em contraste, cervejas “padrão” tiveram a sua porção de mercado reduzida no mesmo período, de 87,6% para 87%.

O relatório da Mintel também revela o apelo que as marcas premium provocam nos consumidores, especialmente nos jovens e adultos de classe alta. De fato, enquanto 25% dos brasileiros das classes A e B afirmam beber marcas internacionais, somente 18% da C1, 11% da C2 e 7% das classes D e E fazem o mesmo. De maneira semelhante, marcas internacionais saem-se bem entre os públicos mais jovens: 26% dos consumidores entre 18 e 24 anos afirmam bebê-las. O índice continua alto entre adultos de 25 a 34 anos (23%), mas há um declínio quando o grupo acima de 35 anos é analisado: 35-44 (13%), 45-54 (12%) e 55+ (7%).

“O avanço de mercado das cervejas premium no Brasil mostra mudanças de hábito do consumidor brasileiro. E as oportunidades no país encontram-se nos grandes eventos esportivos que ocorrerão nos próximos anos. Com um produto ligado à cultura esportiva, fabricantes de cerveja têm a oportunidade de aproveitar o entusiasmo local e de se beneficiarem com o posicionamento de marcas premium”, afirma Sebastian Concha, diretor de pesquisa na América Latina da Mintel.

“As cervejarias internacionais também têm um grande potencial para crescimento nos próximos anos no Brasil. Elas passam uma ideia glamourizada de uma imagem cosmopolita, possuem poder de marketing, que vêm de suas experiências internacionais, e podem ajudar esse mercado a atingir margens mais lucrativas”, completa Concha.

Com volumes de venda atingindo 12.7 bilhões de litros em 2011 (o que equivale a um consumo de 67 litros per capita), aumento de 22%, em relação aos 10.4 bilhões de litros de 2007, o Brasil é o terceiro maior mercado no mundo em termos de consumo por volume, ficando atrás somente da China e dos Estados Unidos. Este ano é previsto que o mercado ultrapassará a barreira dos 13 bilhões de litros, atingindo 13.3 bi. Para o futuro, a Mintel projeta um crescimento de 15% nos próximos anos, atingindo 15.3 bilhões de litros em 2017. Já em termos de valores, os próximos anos também parecem promissores: estima-se o alcance de U$ 23 bilhões (cerca de R$ 48 bi) em 2012 no varejo, e projeta-se que chegue a U$ 33 bilhões (cerca de a R$ 69 bi) em 2017.

“O crescimento de mercado nos próximos cinco anos resultará do aumento dos preços devido aos impostos e dinâmica de consumo. As mudanças estão previstas para acontecer devido a uma “premiunização” da indústria, representando oportunidades significativas para o setor”, completa Concha.

O Relatório da Mintel revela também que baixa temperatura é fator essencial para venda de cervejas no país. Ao contrário de outros países, onde bebidas de alta temperatura servem para saciar a sede do consumidor, cervejas super geladas são determinantes para quase todos os brasileiros. Cerca de 95% dos consumidores da bebida afirmam que gostam dela servida extremamente gelada e 84% dos consumidores concordam com esse fato.

“Essa visão em relação às cervejas leva ao desenvolvimento de novos produtos ao mercado, como embalagens que mudam de cor. Algumas marcas lançaram um barril de 4 litros com um termômetro acoplado que indica quando a cerveja está pronta para ser consumida. Uma outra marca introduziu no mercado uma embalagem com uma etiqueta que fica azul quando a bebida está gelada,” revela Concha.

Ao mesmo tempo, a diferença de consumo de cerveja entre os gêneros também é alta no Brasil. O relatório Mintel revela que 65% dos homens afirmam que consomem cerveja, enquanto que somente 38% das mulheres fazem o mesmo. Apesar dos fabricantes já terem investido no público feminino, parece que as melhores estratégias são aquelas que atraem os dois gêneros. Além disso, o relatório revela que mulheres demonstram pequeno interesse em formulações de baixa caloria. Enquanto 27% das mulheres dizem que evitam o consumo de cerveja porque gera ganho de peso, a diferença é pequena quando comparada aos 23% de homens que afirmam o mesmo. Além disso, elas têm menos interesse em inovação de produtos. Enquanto, 57% dos homens afirmam que gostam de experimentar novos tipos de cerveja, somente 45% das mulheres procuram a mesma experiência.

“As estratégias mais bem sucedidas para atrair mais mulheres serão aquelas com apelo de sabor universal e que ressaltam atributos da categoria. Particularmente, marcas de cervejas internacionais estão numa situação privilegiada para serem posicionadas como uma categoria unissex, já que têm um segmento receptivo, formado por mulheres jovens e bem sucedidas”, conclui Concha.

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