Com o foco em 2016, a analista de Tendências da Mintel, Graciana Méndez, discute as quatro principais direções que impactarão o mercado brasileiro no próximo ano, incluindo as implicações para os consumidores e marcas. Heróis da Pechincha, Sede por Mais, Ocupe Brasil e Famílias Alternativas são as quatro tendências identificadas pela Mintel que irão pautar os negócios no próximo ano.

Heróis da Pechincha

Os consumidores brasileiros estão explorando modelos de compra alternativos, como compartilhamento, aluguel e permuta, permitindo que eles ainda aproveitem alguns pequenos prazeres da vida.

“Com a alta da inflação em 2015, os consumidores brasileiros procuram modelos alternativos de compra e de como usufruir de produtos, como compartilhamento, aluguel e troca, os quais estão possibilitando formas flexíveis para que eles mantenham o estilo de vida com o qual se acostumaram. Alugando um quarto na casa de alguém nas férias ou roupas de grife permite, por exemplo, que eles ainda desfrutem de alguns pequenos luxos sem precisar gastar uma grande quantia de dinheiro.”

“Pesquisa feita pela Mintel revela que os brasileiros associam compras com benefícios emocionais. Por exemplo, 24% dos consumidores afirmam que ficam felizes ao comprar novos produtos e 35% acreditam que comer fora é bom para fugir um pouco da rotina. Por outro lado, modelos alternativos de aquisição, como a economia compartilhada, ajudam as pessoas a controlarem o que consomem. Aliás, 17% dos Millennials se arrependem quando compram algo que realmente não precisam.”

“Esses novos modelos, que ainda estão em fase inicial, fornecem um melhor controle financeiro do consumidor, mas as marcas precisam mostrar que eles podem proporcionar a mesma emoção que uma operação tradicional, mas sem o alto custo. Com a economia compartilhada cada vez mais popular em vários países, os turistas estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de 2016 vão esperar uma vasta gama de compartilhamento disponível. Marcas terão que oferecer soluções que possam atrair não só o público de fora, mas também os brasileiros, para que elas continuem atraentes após os Jogos. A moda, especificamente com seus serviços de aluguel, é uma indústria onde temos visto essas novas ideias florescerem. Em 2016, as marcas de acessórios poderiam oferecer esquemas de aluguel e troca de joias, óculos, sapatos e bolsas. Como as pessoas se tornam mais atraídas por novos modelos de compra, as marcas que facilitarem essa forma de consumo em 2016 vão se sobressair.”

Sede por Mais

À medida que o país luta contra a recessão – depois de uma década de auge das commodities – e enfrenta questões climáticas, os consumidores começam a descobrir que a adoção de práticas sustentáveis pode ajudá-los com suas finanças.

“O Brasil sofre sua pior seca das últimas décadas, o que incentiva os consumidores a procurarem por soluções sustentáveis. E a recessão acelerou a simpatia do consumidor por atividades ecológicas, já que aprenderam a associar medidas sustentáveis com rentáveis. Os brasileiros estão descobrindo que os produtos energeticamente eficientes não só economizam água e energia, mas podem ajudar a reduzir contas. Como a escassez de água impacta igualmente pessoas físicas e jurídicas, temos visto empresas assumindo um papel de aconselhamento, educando os consumidores sobre medidas de gestão de resíduos.”

“Já que a Mintel revela que 39% dos brasileiros são atraídos por comprar de empresas que não agridem o ambiente, existem oportunidades significativas para as marcas se posicionarem como impulsionadoras de mudanças positivas e, assim, ganhar o apoio dos consumidores. Somando-se a isso, 37% dos brasileiros acham difícil imaginar suas vidas sem a internet. Como resultado, veremos inovações verdes virem conjuntamente com tecnologia, como o aplicativo chileno, de controle ambiental, allGreenup, que rastreia atividades pessoais diárias e recompensa ações sustentáveis.”

“Como os orçamentos ficam mais apertados, o consumidor vai precisar de evidências tangíveis de como a sustentabilidade pode ser rentável. Estamos propensos a ver mais incentivos governamentais promovendo práticas sustentáveis. Visando diminuir os níveis de poluição, o governo francês oferece bônus para quem vai de bicicleta ao trabalho. Também deveremos ter mais empresas a explorar a reciclagem como ‘moeda’, como a marca uruguaia de roupas Mutma que permite que os clientes paguem até 40% de suas peças usando garrafas PET. Em 2016, vamos ver indivíduos e empresas continuando a explorar novas maneiras de economizar por meio de práticas amigas do meio ambiente. À medida que os benefícios pessoais das alternativas ecológicas fiquem mais claros para os consumidores, elas vão ser adotadas.”

Ocupe Brasil

Atualmente, os consumidores denunciam tudo, desde a escassez de água a corrupção, passando pelo abuso das contas públicas e pelo aumento de preços. As marcas estão se ajustando a busca por práticas justas.

“Enquanto os brasileiros estão nas ruas protestando contra a falta de água, a corrupção, os gastos públicos e o aumentos de preços, as marcas ganham notoriedade, alinhando-se com a busca dos consumidores por práticas justas. Muitas empresas estão ouvindo o que os brasileiros dizem: marcas devem permanecer fiel à sua mensagem e defender os direitos dos consumidores. Elas não apenas apoiam causas cívicas, mas em alguns casos são alavancadoras de transformação pública. Ao mesmo tempo que algumas empresas alinham suas comunicações com esses grupos de consumidores que reivindicam uma sociedade mais justa, outras focam sobre os sentimentos comuns que estão surgindo a partir da união entre as pessoas.”

“A pesquisa Mintel revela que credibilidade é um valor muito importante para os consumidores brasileiros. Por exemplo, 50% dos consumidores preocupam-se com o compartilhamento de informações pessoais online. E a Mintel também aponta que 28% dos Millennials confiam mais em marcas recomendadas por amigos. Esses dados mostram que promover um diálogo aberto vai ajudar as marcas a mostrarem valores mais democráticos.”

“É imprescindível que as empresas com o objetivo de ganhar a credibilidade dos consumidores façam da transparência o seu principal objetivo. Somando-se a isso, mais marcas irão ajudar os consumidores a levantarem a sua voz e a passarem a sua mensagem. Vamos ver corporações assumindo papéis não tradicionais, como a operadora de telecomunicações Oi que apoia a iniciativa do governo Cinema sem Teto, que visa levar sessões de cinema gratuitas para comunidades menos favorecidas. Além disso, estamos vendo uma série de ações relacionadas a ajudar os consumidores a serem agentes de mudança positiva. A Red Bull, por exemplo, apoia um concurso de projetos tecnológicos inovadores para melhorar São Paulo.”

Famílias Alternativas

A forma como os brasileiros vivem juntos e criam laços evoluiu significativamente, resultando no surgimento de novas formas de convivência.

Novas dinâmicas domésticas desafiam ideias estereotipadas – relacionadas a gênero, idade e etnia – sobre a definição de família, e os papéis individuais estão sendo redefinidos. Como as pessoas hoje em dia vivem mais, os idosos trazem novas exigências às famílias. À medida que mais mulheres se juntam à força de trabalho e os homens se envolvem com tarefas domésticas e de cuidados às crianças, surge uma nova compreensão do significado dos gêneros. Nós também estamos vendo mudanças na definição de casamento, para que seja mais inclusivo da comunidade LGBT. Ao mesmo tempo, o crescente número de animais de estimação atinge um novo patamar entre as famílias brasileiras.”

“De acordo com a Mintel, essa nova abordagem familiar gerou, por exemplo, um grande efeito na indústria de rações para animais domésticos, que deve crescer 6,5% em 2016. E várias empresas no Brasil estão começando a ver o potencial da demografia dos cidadãos mais velhos, lançando iniciativas para incentivá-los a adotar um estilo de vida mais ativo. Por sinal, pesquisa da Mintel revela que 55% dos brasileiros com idade superior a 55 anos dizem se exercitar. No que diz respeito a novos arranjos familiares, a pesquisa da Mintel constata que 13% dos consumidores dizem que as propagandas de hoje devem representar melhor a diversidade no Brasil.”

“O não convencional tornou-se o novo tradicional. Como os consumidores estão mais conscientes das famílias não tradicionais, os brasileiros vão prestar mais atenção nas marcas que apresentam as várias dinâmicas do ‘novo normal’. Em 2016, provavelmente veremos mais espaços de gênero neutro, como o toilet da Casa Branca, que pode ser usado por todos, independentemente da identidade de gênero. Além disso, podemos ter um maior número de varejistas de moda unissex. Em 2015, por exemplo, a marca brasileira UMA apresentou uma coleção unisex na São Paulo Fashion Week. Ações que suportam as necessidades de uma população cada vez mais diversificada ganharão impulso em 2016, incluindo instalações de trabalho flexíveis para acomodar as necessidades dos proprietários de animais de estimação e dos programas de apoio para integrar diferentes gerações.”

A cópia completa das Tendências de Consumo Mintel, de 2016, está aqui disponível para download gratuito.

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