A economia brasileira parece ter dado seus primeiros sinais de recuperação no primeiro trimestre de 2017, registrando um crescimento de 1% pela primeira vez em dois anos. A recessão, no entanto, impactou o setor de alimentos premium, atingindo as barras de snacks. As vendas no varejo das barras de snacks caíram 19%, uma vez que a economia começou a despencar em 2014. Esse declínio acentuado nas vendas destaca a forma como os consumidores reduziram seus gastos com itens não essenciais (ou simplesmente muito caros). De fato, de acordo com o relatório Estilos de Vida do Brasileiro: Adaptando-se ao Novo Normal, de 2016, um terço dos consumidores afirmou que cortaria “itens alimentares premium” caso precisassem reduzir despesas.

Enquanto as barrinhas não são, necessariamente, um item de luxo, elas geralmente têm preço superior a muitos outros tipos de lanches disponíveis no mercado. Além de conterem ingredientes caros, como nozes, sementes e frutas secas, elas também vêm embaladas separadamente. À medida que a economia brasileira gradualmente melhora, as marcas de snacks precisarão demonstrar seu valor aos consumidores que ainda podem estar um pouco receosos em gastar.

“JANELA” TRANSPARENTE GANHA IMPORTÂNCIA

As barras Nesfit têm um preço superior aos biscoitos Nesfit, refletindo uma concepção de produto mais caro. Apesar de um cenário econômico de recessão, ou talvez estimulada pela recente recuperação do PIB, a Nestlé introduziu uma nova barra de lanchinho premium à sua linha Nesfit. A barra Nesfit Frutas & Nuts é formulada com grandes e visíveis pedaços de frutas, nozes e sementes, e a embalagem apresenta uma parte transparente, demonstrando esses ingredientes saudáveis. E essas barras são vendidas no varejo quatro vezes mais caras que um biscoito e duas vezes mais que um lanchinho da mesma marca. Para justificar o preço premium, as novas barras Nesfit apresentam frutas como a goiaba, demonstrando os ingredientes na frente do pacote e do invólucro.

Os snacks da marca Kind, nos Estados Unidos, foram pioneiros no uso da “janela” transparente na embalagem, complementando o slogan “ingredientes que você pode ver e afirmar”. Já no Brasil, a Nesfit é uma das únicas marcas a usar este tipo de embalagem. Por sua vez, outras marcas, como a Nutry, da líder de mercado Nutrimental, demonstra seu uso de ingredientes de qualidade por meio de fotografia em close-up de suas barras na frente do pacote.

Concentrar-se nos ingredientes presentes nesses lanches é uma estratégia que provavelmente repercute nos grupos demográficos mais jovens, que são os maiores consumidores de barrinhas. De acordo com pesquisa da Mintel sobre hábitos de consumo de snacks no Brasil, enquanto pouco mais de um terço dos brasileiros afirmam consumir barras de snacks, esse índice aumenta para quase metade das consumidores entre 18 e 24 anos. Além disso, enquanto os “lanches feitos com ingredientes naturais” são de interesse para 45% dos consumidores em geral, os jovens de 18 a 24 anos mostraram o maior interesse, com 52% deles afirmando o mesmo. Com a economia parecendo que está saindo da recessão, é provável que os consumidores retomem, gradualmente, a incluir mais alimentos premium como snacks em suas dietas.

O QUE NÓS PENSAMOS

As barras de snacks geralmente são mais caras quando comparadas a outros snacks mais populares, como as bolachas. Para justificar seu preço mais alto, especialmente nos tempos pós-recessão, as marcas de barrinhas devem enfatizar a qualidade de seus ingredientes e outros benefícios, como nutrientes ou funcionalidades adicionais. Isso ajudará a convencer consumidores que podem ter se acostumado a opções mais econômicas. A embalagem com parte transparente mostrou-se muito eficaz no mercado americano, como forma de provar aos consumidores que os produtos estão à altura das suas descrições e contêm quantidades generosas de ingredientes-chave. Enquanto muitas marcas estão usando fotografia em close para seduzir os consumidores, a janela oferece uma prova muito mais forte, que pode ser exatamente o que os consumidores brasileiros precisam.

Jodie Minotto é gerente de pesquisa na Mintel, divisão de Alimentos e Bebidas, na região Ásia-Pacífico. Ela tem mais de 13 anos de experiência em vendas, marketing e pesquisa de mercado, principalmente nas indústrias de alimentos e bebidas, trabalhando para companhias de bens não duráveis e na área de pequenas e médias empresas. Ela é especialista em laticínios, confeitaria, snacks, cervejas e vinhos.

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